segunda-feira, 1 de agosto de 2011

À casa do papagaio foram os pintassilgos... - Aiuruoca, 15 e 16/jul/2011

… e lá foram muito bem recebidos. Aiuruoca, ou casa do papagaio, em tupi (aiuru = papagaio e oca = casa), é uma cidadezinha situada no sul de Minas Gerais, a aproximadamente 360km de Belo Horizonte, e também destino mais recente das aventuras de inverno dos pintassilgos. A singela cidade, repleta de belezas naturais e gente simples e acolhedora não faz parte dos principais roteiros de ecoturismo do país, o que se deve em grande parte à falta de divulgação da cidade e seus arredores, e também a um melhor plano de manutenção de suas estradas, que estão em situação de ruim para péssima, na avaliação dos pintassilgos (e veja que estamos no inverno, época em que as estradas estão em melhor estado).

Cachoeira dos Garcias

A trupe da vez foi composta pelos pintassilgos Lucas e Bertozzi, além de três novos membros: na foto acima, além da maravilhosa e absolutamente congelante cachoeira dos Garcias, temos, da esquerda para a direita: Heraldinho, Bruna e a nossa valente menina-veneno, Dani.


Saímos de BH às 4h da man... ops! Tentamos sair às 4h da manhã, porém após entrarmos em algumas ruas na contra-mão e estacionarmos no estacionamento da COPASA, conseguimos sair às 7h. Saímos pela BR-040 rumo ao Sul, até Congonhas, onde entramos na BR-383 e seguimos, passando por Lagoa Dourada (a terra dos rocamboles) e São João Del-Rei (terra onde não se encontra um restaurante), para então pegarmos a BR-494 rumo a Andrelândia (terra das velhas simpáticas) e Arantina (terra das aspas: encontramos o restaurante "Pirigoso" e o salão da "Talita"). Saindo de Arantina seguimos pela BR-267 para finalmente atingirmos o nosso destino: Aiuruoca!

Estrada em obras!

Com tudo isso chegamos a Aiuruoca no início da tarde, almoçamos no Restaurante Dois Irmãos (recomendado! Comida boa a R$24,90/kg, se não me engano) e em seguida fomos em busca do destino do dia, a cachoeira dos Garcias. O acesso a essa cachoeira fica a aproximadamente 5km da entrada da cidade, onde deve-se entrar à direita (há uma placa indicando o parque do pico do papagaio) e seguir por 13km em estrada de terra e pedra de pura subida, estrada essa que se encontrava em estado terrível. Resultado: estrada podre + carro entupido = carro quebrado e menos R$100 para o motorista (dois dias depois, quando na mecânica da cidade, me disseram que a estrada até a cachu do Garcias é recomendada apenas para jipes, não para carros pequenos).

Estrada malditaaa!

Depois dos 13km, com o Doritos quase acabando e o carro gemendo de dor, chegamos ao nosso destino:

Vista de cima

Cachoeira dos Garcias

A cachoeira é lindíssima, tem um ótimo poço para nadar e estava com esse bonito arco-íris bem no meio dela. Depois de apreciarmos a cachu, fomos felizes entrar na água, e então... MEU DEUS! O que era aquilo? A água mais gelada que eu já vi em toda a minha vida! Uma coisa absurda! A única coisa que conseguimos fazer quando adentramos aquele gelo líquido cortante foi gritar. Gritamos como loucos, nadando desesperadamente numa tentativa frustrada de nos aquecer. Quando saímos da água foi ainda pior, pois nossos corpos pareciam estar pegando fogo. Muito fogo!

Depois da cachoeira dos Garcias, o primeiro dia em Airuiriorioca (né, Bruna? =]) ainda nos reservava um grande show à noite, na praça da cidade, marcando o início do primeiro encontro de motociclistas de Aiuruoca. O show foi, com o perdão do trocadilho, um show à parte. O vocalista, que conseguiu a façanha de cantar Hey Joe, da banda O Rappa, por 20 minutos sem parar, teve o dom de estragar a música de maneiras antes inimagináveis. Isso tudo enquanto dançávamos, nós e Rita, ao redor de uma garrafa de Bacardi Big Apple, no coreto da praça. Enquanto isso a agente da banda, que não sabia o nome da mesma (- Sou nova e a banda também, disse ela) gravava nossas danças para o DVD da banda. No fim conseguimos uma foto com a nossa adorada banda, e a Bruna ainda quase ganhou um beijo do bêbado da praça.

No centro o vocalista dessa banda sensacional!

HAHAHA

Ao fim da noite voltamos ao nosso camping, o Camping do Miguel (R$15 a noite, localizado a aproximadamente 3km da entrada da cidade). Definição do Camping do Miguel em uma palavra: PÉSSIMO. Pagamos quinze reais para acampar no quintal do Miguel, que tem uma área gramada razoável, porém deixa muitíssimo a desejar na limpeza. A casa, colocada por ele à nossa disposição para que utilizássemos a cozinha e o banheiro, estava muito suja e tinha um cheiro bastante desagradável. A água do banheiro da casa acabou no meio do nosso terceiro banho, quando tivemos que nos mudar para o banheiro de fora, que era ainda pior! O banheiro era muito sujo, sem lugar para deixarmos as roupas, uma coisa terrível. Cabe ressaltar, ainda, que o Miguel é um sujeito muito tranquilo e gente boa, apesar do seu camping não possuir um mínimo de higiene.

Chegando ao camping a Dani e o Heraldinho fizeram uma fogueirinha, e quando fomos dormir nem imaginávamos que quando acordássemos seríamos apenas 3, não mais 5. Aiuruoca cobrou o seu preço.

Fogueira no Camping do Miguel

O dia 2 começou com o sol rachando! Levei o carro na cidade pra retirar o defletor quebrado, fui parado pela polícia, que revistou todo o carro em busca de drogas, e então partimos, eu, Dani e Tozzi, para a cachoeira do dia, a majestosa cachoeira do Fundo.

A cachoeira do Fundo fica, como o seu nome deixa transparecer, ao fundo do Vale do Matutu, uma comunidade situada a 13km de Aiuruoca, com acesso por uma estrada de terra que começa ao fim da cidade. Chegando ao Vale do Matutu, nos informaram que o homem das informações era o Lázaro, do casarão, porém como não o encontramos, acabamos nos informando com o Celso da mercearia. O Celso foi muito atencioso, tem uma prosa muito boa, e nos explicou em linhas gerais como chegar à cachoeira, e então lá fomos nós!

Estrada que leva ao Vale do Matutu

A trilha, na qual gastamos quatro horas para ir e voltar, foi cheia de obstáculos, mas um fato foi constante durante todo o percurso: o Vale do Matutu é lindo! Ô lugar bonito, viu! A vegetação é diferente de tudo que já vimos aqui em MG, com árvores grandes e imponentes. A cada curva nos deparávamos com um cenário mais bonito que o outro, realmente impressionante.

Paisagens do Matutu - Bruxa de Blair

Paisagens do Matutu - Na trilha


O primeiro obstáculo que enfrentamos na trilha foi a falta de direção. Após andarmos uma meia-hora, já nos encontrávamos perdidos. Quando a esperança se esvaia, eis que aparece um escravizador de animais, chicoteando seus burros (deu dó... =/) sem parar, e nos salva da perdição. Obrigado, escravizador!

Paisagens do Matutu - É Natal!

Em seguida encontramos o nosso segundo desafio: os bois assassinos. Começamos a subir uma trilha bastante estreita no meio da mata, quando de repente apareceram 4 bois enormes e feios bloqueando o caminho. Depois de muito terror e muita confabulação, passamos sorrateiramente pelos bois quando eles saíram da estrada para comer mato, mesmo com a paralisia momentânea do Tozzi, que tem Boifobia.

Após o segundo obstáculo as coisas se mantiveram tranquilas por um tempo, enquanto subíamos montanha e descíamos montanha. E foi aí que apareceu o terceiro obstáculo, a falta de esperança. Havíamos andado bastante, e nos foi dito pelo escravizador de animais que passaríamos por uma pousada, o que não aconteceu, então começamos a duvidar do caminho que havíamos tomado. Quando a moral do grupo atingiu o fundo do poço, a salvação apareceu: a cachoeira da Esperança! As águas dessa cachoeira renovaram as esperanças, e logo depois ainda encontramos um guia que nos indicou que estávamos sim no caminho correto.

Cachoeira da Esperança (não sei o nome certo)
Paisagens do Matutu - A Ponte

Pouco depois da cachoeira da Esperança conseguimos avistar a desejada cachoeira do Fundo, ainda que ela continuasse um pouco longe.

Cachoeira do Fundo (dir.)

Passamos por uma floresta de samambaias, por uma casinha (onde as pessoas escrevem seus nomes) e seguimos mais um pouco, até que enfim alcançamos a primeira queda da cachoeira, que possui poço pequeno e raso. Devido ao avançado da hora, não entramos na água, que parecia estar congelante.

Primeira Queda - Cachoeira do Fundo
A cachoeira do Fundo impressiona pelo seu tamanho, porém não encontramos nenhum poço muito grande, com ótimas condições para nadar. Seguimos subindo, com a cachoeira à nossa direita, e paramos para apreciar várias outras quedas.

Segunda Queda - Cachoeira do Fundo
Depois de subirmos mais um pouco, chegamos até uma pedra mais saliente, de onde pudemos observar melhor toda a imensidão da cachoeira, assim como uma bela vista dos arredores.

A foto falhou em capturar a vista

Cachu do Fundo e menina-veneno

Conseguimos voltar antes do pôr-do-sol que se aproximava rapidamente, e de lá seguimos para o segundo camping da viagem, o Camping Panorâmico, que será detalhado na segunda postagem dessa viagem. Fica também para a segunda postagem a escalada do grande Pico do Papagaio, pico mais alto da região.

OBS: Quanto às trilhas e estradas da região, inclusive a trilha até a cachoeira do Fundo, nos disseram que a condição das mesmas não é tão boa em época de chuva, onde tudo fica lamacento, dificultando muito o acesso às cachoeiras.

Abraços!

3 comentários:

  1. Olá Pintassilgos destemidos

    Garcias parece incrível, adorei!
    Temos que tratar a boifobia do Bertozzi, hauhauahaha
    Fora isto, bacana! Gostei muito, deu vontade de ir lá... lá em... éhh... Airu... Aruic... Aiuruoca!

    Henrique D. Moura

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  2. Hahaha... boa Henriquito, entrou no clima! =]
    Nossa... esse post ficou gigante, escrevi até morrer!

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  3. Ouuu eram 4 bois enormes e uma trilha q nao dava pra passar nem duas pessoas uma do lado da otra...
    E eles vinham na direção contrária!!

    ahuahuhauha

    Lucas! To morrendo de rir dessa postagem.
    Só alguns comentarios

    - A água de la no inverno eh MTO fria MESMOO..dá vontade de morrerrr
    - Não esqueçamos q a noite na cidade, após a bandinha PODRE o Lucas decidiu fingir que era argentino pras crianças da cidade.
    - O Camping do Miguel eh podre tbm! rsrs a agua acabou no meio do meu banho! E lá é geladasso a noite
    - Não brinquem de macaco saindo da Cachueira do Fundao...pode dar errado

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